segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Alunos do ‘Rugby Dagaz’ vivenciam dia histórico nas Olimpíadas

ONG de Volta Redonda levou atletas à estreia da modalidade no último sábado, no Estádio de Deodoro, no Rio


Matéria e foto por Libânia Nogueira / Diário do Vale


Um dia para guardar na memória. Assim ficou marcado o último sábado, 6 de agosto, para os alunos de rugby do Instituto Dagaz, de Volta Redonda. Como se fosse uma aula, eles assistiram à estreia da modalidade olímpica no Estádio de Deodoro, no Rio de Janeiro. As crianças e jovens atendidos pela ONG levantaram cedo da cama e enfrentaram o calor da cidade sede das Olimpíadas, mas voltaram para casa com brilho nos olhos e com o espírito esportivo renovado. O que valeu foi o aprendizado e independente da nacionalidade, o grupo vibrou a cada “try”, o gol do rugby.


A estreia do rugby seven (sete atletas) com seleções femininas encorajou e serviu como representatividade para as alunas. Como a pequena Vitória Vaz Ferreira, de 10 anos, que defende o envolvimento de meninas em um esporte comumente considerado bruto. Há dois anos praticando a modalidade no Dagaz, Vitória não se limita e gosta de desafio.

– Nas aulas, o Dagaz separa os jogadores por idade, mas eu gosto mesmo é de jogar com os maiores, que são mais fortes, é mais emocionante. E quando vi as meninas jogando, pela primeira vez ao vivo, senti um medo, porque elas são muito fortes. Mas é uma coisa que eu gosto e quero continuar jogando, não só com meninas, é bom jogar com todo mundo – afirmou.

Estar no maior evento esportivo do mundo foi também uma experiência cultural. Na arquibancada e em todo o Parque Olímpico de Deodoro, as crianças e jovens deram um jeito de interagir com pessoas de diversos países. Sem timidez, eles abordaram alguns turistas e arriscaram trocar algumas palavras em inglês, mas a prioridade era registar o momento em selfies. Observador, Vinícius Ferreira Irineu, de 10 anos, achou “estranha” a comunicação com pessoas de outras nacionalidades. “Eu falei ‘obrigado’ e o japonês disse ‘arigato’”, contou, comemorando as fotos que tirou com o japonês e um argentino e guardará como lembrança. Vinícius também é atleta do Rugby Dagaz há dois anos e esta foi a primeira vez que assistiu a jogos em um estádio.

– Fiquei muito animado, é muito legal ver como é um jogo oficial assim. Eu sempre vejo pela televisão, mas ao vivo é muito diferente. Eu entrei no rugby por causa do meu irmão, que também joga, e quero jogar em um time oficial um dia. Pena que a gente não conseguiu assistir ao jogo do Brasil, mas valeu muito – avaliou Vinícius, que acompanhou concentrado as pontuações das equipes e lamentou o resultado do Brasil.

A presidente do instituto, Marinêz Fernandes, acredita ter avançado em um ponto que a ONG tem entre as prioridades: mostrar que é possível chegar lá. O evento, segundo Marinez, ajudou a reforçar a função social, sobretudo de igualdade. Além disso, apresentou aos alunos que diversas pessoas ao redor do mundo estavam reunidas por um mesmo interesse, que faz parte do dia a dia deles no interior do estado do Rio.

– Uma oportunidade para eles verem como o rugby é um jogo limpo, com técnica, é um esporte respeitado e em uma arena preparada para essa modalidade. Então, fiquei muito feliz de ter conseguido, através do nosso instituto, mostrar como é grande. Porque nosso grande objetivo é mostrar para as pessoas que existe um mundo muito maior do que o mundo que a gente vive e que as oportunidades são gigantes. A gente tem que estar sempre disposto a conhecer, a ver outras culturas, ter contato com outras nacionalidades e sair da zona de conforto. Esse momento foi fundamental para reforçar que somos todos iguais – destacou a presidente.

Marinêz comemorou a expansão da modalidade na região, que pelo Dagaz tem mais de 100 alunos em Pinheiral e Volta Redonda, correspondendo à análise do diretor-presidente da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Agustin Danza. Danza vê um aumento no número de praticantes como resultado da entrada do esporte no programa olímpico. “Para nós, o principal impacto é a massificação do esporte, em dois sentidos. O primeiro é permitir que a maioria dos brasileiros interessados nos Jogos Olímpicos possam assistir às seleções jogando, fiquem sabendo que existe. E o segundo é a possibilidade de poder entrar mais em escolas. Elas obviamente olham com bons olhos os esportes olímpicos”, disse.

O rugby ficou fora do quadro olímpico por 92 anos, mas em outra versão, com 15 atletas de cada lado. Já a “seven” tem a característica de ser mais dinâmica, uma vez que são menos atletas em campo. O principal objetivo do jogo é conduzir a bola ganhando terreno no campo adversário. Eles precisam avançar enquanto o adversário tenta impedir o progresso, bloqueando e derrubando aqueles que tenham a posse da bola. Os passes para frente, no entanto, são proibidos. Passes com as mãos, apenas para trás. Só chutes podem ser dados para frente.

E foi atenta aos detalhes que Ana Luísa Fernandes e sua mãe Rosimar acompanharam as partidas. Ana Luísa ingressou no esporte a convite do amigo Vinícius e desde então se apaixonou pela modalidade. Ela precisou driblar o pai, que ficou preocupado por achar a modalidade perigosa, mas a atleta provou o contrário. “Gosto tanto de rugby e essa chance de assistir jogos de pertinho foi muito importante, vou lembrar pela vida toda. Foi muita surpresa para mim e acaba sendo incentivador para investir nisso. E ainda conheci várias pessoas de outros países, tirei várias fotos para mostrar que fui a um evento mundial. Estou muito feliz”, expressou. Rosimar completou a satisfação da filha: “Foi muito bom ter essa oportunidade, cheia de emoção. Valeu a pena todo o transtorno, faria tudo de novo para vivenciar esse momento único, principalmente pela minha filha”, afirmou a mãe.

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